Uma nova vida após o câncer

18 Oct 2017

"Eu sempre temi que a minha hora fosse chegar", conta a engenheira Mônica Carvalho, 51 anos. "Minha mãe, minha irmã e uma tia tiveram câncer de mama, então sabia que tinha que tomar cuidado". Em 2010, durante exames de rotina, ela descobriu cinco nódulos nas mamas e decidiu agir rapidamente - foram menos de 15 dias entre o diagnóstico e a primeira cirurgia. "Eu achava que estava preparada para algo assim, porque já tinha colocado na minha cabeça desde muito cedo que, por conta do histórico familiar, minhas chances de ter câncer eram grandes. Mas nada pode preparar a gente para passar por isso".

 

De acordo com Mônica, a vida mudou completamente após a notícia. "Passei a ter muito mais consciência do meu corpo e do que eu fazia com ele. Cada sessão de quimioterapia era um choque, então tive que aprender a lidar com isso", diz. "Passei a dormir mais e fazer escolhas melhores em relação à alimentação, para não me sentir tão fraca após as sessões. Também tive que melhorar minha resistência física." Foi aí que a engenheira voltou a se exercitar - prática que havia abandonado há anos. "Costumava caminhar todos os dias, mas, por conta do trabalho, fui parando aos poucos. A rotina ficou muito cansativa e eu passei a me exercitar apenas quatro vezes na semana. Depois, três, depois, duas, até que parei completamente", conta.

 

O maior aliado durante a recuperação, além da família, foi a academia. "Comecei ainda na época da terceira sessão de quimioterapia e, claro, não conseguia fazer muita coisa. Mas até o fim do tratamento, notei uma mudança enorme". Os enjoos diminuíram, a resistência aumentou e até mesmo a atitude sofreu mudanças. "Mesmo eu sabendo do meu histórico familiar, nunca fiz muita coisa para combater isso. Me sentia culpada, achava que poderia ter evitado, e muitas vezes cheguei a pensar que esse seria o meu fim. Não gostava da maneira como minha família me olhava, como se estivessem se preparando para o pior. O único lugar onde eu não tinha câncer era na academia", brinca Mônica. Hoje, cerca de 7 anos após o diagnóstico, a engenheira mantém a rotina de exercícios e pretende correr sua primeira maratona no fim do mês, em uma ação relacionada ao Outubro Rosa.

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